Vida de Autor!

Olá, leitores!

Hoje é dia de apresentar mais histórias boas para vocês. Se você gosta de livros com protagonismo feminino, se prepare, porque vamos trazer uma autora que se dedica a escrita desse tipo de obra!

Carol Façanha, 27 anos, é escritora e doutoranda de literatura de língua inglesa na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Participa como escritora integrante da Sala de Storytellers WolfPack, comandada pelo autor de terror nacional, André Vianco. Em seus livros e na sua pesquisa, lida com armadilhas simbólicas em personagens femininos através de releituras de obras clássicas ou pesquisando os gêneros da Poética Gótica e da Distopia Contemporânea.

Sobrevida dos Pássaros

“Desde a Medida 91, mais mulheres estão sendo inindentificadas. Cada vez mais, dedos são apontados uns
aos outros conforme mulheres se acusam e são levadas para interrogatórios, jamais sendo
vistas novamente.

Cyntia está preocupada que Apolina, sua patroa, possa estar envolvida em alguma
atividade ilegal. Ela tem sido relapsa com a sua aparência, a causa principal para uma mulher
ser inindentificada em Luminosa. Aquela que for pega fora dos padrões de Etiqueta e
Compostura será convidada a seguir para o temido Interrogatório.
Mal sabe Cyntia que sua ansiedade é mais que justificada, pois Apolina conseguiu
colocar as mãos num artefato perigoso. Um artefato que poderia comprar, para todas que
vivem em jaulas, a liberdade que elas esqueceram de sonhar.
Em Luminosa, nada é o que parece.
Por baixo da ofuscante penugem de um pavão, jamais é possível prever o que estranha e maravilhosa criatura carrega em suas profundezas e por vezes as armas mais eficientes que temos caminham na fronteira do que nosso inimigo espera ver e do que efetivamente está em curso nos bastidores. Por baixo das volumosas saias de tafetá das belas senhoras de Luminosa, entre um chá das cinco e uma risada cintilante, se esconde a chave da liberdade daquelas mulheres que mesmo intensamente vigiadas, se lembraram de olhar para os céus e se inspirarem nas nuvens para recuperar as
asas que lhe foram tomadas, uma medida por vez.”

Perguntamos à Carol, um pouco sobre seu processo criativo e como a Hardcover tem auxiliado em sua carreira. Confira:

1- Como é o seu processo criativo?


Ele tem variado, pois tenho aprendido com alguns tombos que levei, Atualmente, sou admiradora do regime fast draft, em que a primeira escrita se dá em maratonas velozes, em jorro de pensamento, justamente para que eu não peque pela autossabotagem. Porém, para que este regime funcione, é necessário severidade na preparação e no planejamento desta etapa.


 2- De onde vem sua inspiração?

Ah, de muito lugar.. principalmente da música, no Spotify tem álbuns inteiros que são verdadeiras obras de arte, me colocam no centro da história e até me revelam coisas que eu não sabia inicialmente. É uma espécie de transe. O Pinterest também é ótimo, mas por algum motivo é mais fácil me desfocar com imagens. Posso ficar horas no Pinterest caçando fotos, mas ao final deste período sinto que investi mais num hobby do que numa imersão imagética ou numa pesquisa de romance.


 3- Qual a maior dificuldade que você encontrou durante a escrita do seu livro?


 O medo do patético. Quando eu estou escrevendo pela primeira vez, fica muito óbvio para mim quando algo não está funcionando, é como um sino que não para de tocar. E, como pode imaginar, é imensamente desconfortável escrever ao som de um sino, uma espécie de coro grego bradando a plenos pulmões no meu ouvido “isso não está bom o suficiente”. Abandonar a escrita no meio foi meu maior problema e, nesse sentido, encontrar uma rede de apoio foi essencial para mim, Não vou dizer que hoje não tenho medo nem que o desagradável coro grego da vergonha me deixou, mas definitivamente me sinto mais equipada para não me deixar convencer pela sua sinfonia. Conhecer algumas das técnicas que o Vianco apresenta, em especial as fábulas, foi também interessante para me servir de bússola e me ajudar a desenvolver um pensamento crítico: isso não está funcionando mesmo ou é só a minha autossabotagem atacando de novo?
No geral, é minha autossabotagem não entendendo os percalços naturais de todo processo criativo.

4- Qual a sensação de receber um feedback positivo dos leitores sobre seu livro?


É muito gratificante. Mas mais do que receber feedback com elogio à minha escrita, gosto mais do sentimento de identificação. O George Orwell, escritor que gosto muito e que escreveu a distopia 1984 falou algo que ressoa muito comigo:  “‘Perhaps one did not want to be loved so much as to be understood” (“Talvez mais do que ser amado, nós queremos ser entendidos”). Acho que quando comecei a rascunhar os primeiros contos, eu realmente achava que o que eu queria era a celebração do meu modo de escrever, mas depois, e com a repercussão do Sobrevida (dos Pássaros), tenho me tocado que não. O que eu queria era esta sensação de reconhecimento que a escrita produz, esta conexão humana que vai e volta. O leitor se identifica com algo ali que escrevi e me dá o feedback, e aí subitamente estamos ligados por uma espécie de magia, um ensaio de amizade que parece dizer: “olha, eu te entendo, eu já passei por algo assim, eu já senti algo parecido”. E acho que até mais do que isso: “eu te enxergo”. Essa conexão humana, me parece, é o maior legado da arte, nos aproxima um dos outros. Ironicamente, o mito do gênio amargurado trancado num quarto ainda vigora em alguns círculos de escritores, o que lamento. A escrita me devolve ao mundo, não me aparta dele.

5- Como a Hardcover te ajudou no processo de criação de suas histórias?

Acho que a questão toda foi a troca entre os escritores e o conhecimento dos cursos. Entrar numa cadeia de pessoas que estavam buscando a mesma coisa que eu (ou não, como depois fui percebendo as nuances dentro dos grupos) e a oportunidade de trabalhar diretamente com o Vianco na Sala WolfPack foram dois divisores de águas. Mudou a forma como enxergo a escrita e como enxergo a mim. Me fez entender também que a escrita funciona em bases muito mais colaborativas do que a gente imagina no início. Quebrou a redoma que eu tinha construído nos primeiros anos de escritora silenciosa. Naquela época, a escrita era um segredo que eu tinha num quarto escuro às 5 da manhã. Mas se por um lado a escrita é isso,isto é, trabalhar em “gabinete fechado”, ela também pode ser mais: pode ser achar irmãos de alma e escrever junto com eles, pode ser aprender com autores de outros gêneros. A escrita pode ser bem mais que uma arena de egos inflados. E a escrita pode também ser um espaço de fé, de coragem, de recomeços. A escrita podia ser tudo isso e eu não sabia. 

Além de Sobrevida dos Pássaros, você ainda encontra mais uma grande obra da autora na Amazon:

Filha da Lama

A tradição rebenta na costa todas as estações, verão e inverno.
Não há nada mais poderoso que a tradição.
Mas o Primeiro Cântico de Solarium pode te surpreender.

Cavalgue pelos condados do norte e desvende os mistérios por baixo das plantações de trigo. Com mais coragem, conseguirá passar pela Ponte Levadiça, não hesitará à visão do torreão de pedra e ganhará o pátio.

Você está perto agora.

Talvez consiga atravessar pela multidão que celebra mais um Festival da Purificação e alcance o Átrio do Castelo do Rei Sol. Talvez consiga até mesmo cortar caminho pelo Vestíbulo Esquerdo e não se deter para admirar o quadro da Rainha Cécile na Sala do Trono.

Os últimos raios de sol já despontam da torre mais alta do Castelo de Solarium e você chegou a tempo. Bem a tempo de espiar pelos olhos de uma jovem amaldiçoada em um reino em ruínas. Ignis Solaris vai guiar seus passos.

O meu único conselho antes de ingressar em tortuoso trajeto: Não siga as aranhas.”

Para saber mais sobre a autora, siga suas redes sociais e acompanhe seu trabalho. Acesse o link: https://linktr.ee/carolfsmwrites

Muito obrigada pela atenção e até o próximo post!

28/08/20020